Leitura , um mundo de descobertas |
Discute-se muito, hoje em dia, como incentivar o aluno a ter gosto pela leitura, de uma forma prazerosa. Também, buscam maneiras de torná-lo um leitor assíduo, crítico e apaixonado por literatura, sem forçá-lo a nada.
Há muito tempo, educadores e estudiosos procuram formas de usarem os livros nas salas de aulas para levar o educando à leitura, sem que isso traga desmotivação e cansaço. Assim sendo, uma maneira de mudar esta situação seria, por exemplo, quando o professor estiver lendo algum romance, mostrar um filme, assistir uma peça teatral, um desenho relacionado ao livro ou, simplesmente, fazendo com que o educando interaja com os personagens, representando-os, numa peça de teatro na própria escola, produzida por eles. E esta é uma boa maneira de estimular o adolescente a ler.
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Sobretudo, com alunos pequenos que ainda não possui o hábito de ler, isto é, que não têm o domino da leitura. O educador precisa ser criativo e trazer para dentro da sala de aula e deixar ao alcance da criança livros, gibis, revistas, jornais, e, além disso, contar muitas histórias, ler contos e poesias .....
Outra discussão constante entre os educadores, é conseguir mostrar que somente lendo, o jovem vai evoluir, tanto na instituição onde estuda quanto em sua vida particular. Demostrar a ele as vantagens que a mesma lhe proporcionará durante sua vida inteira. Pois somente lidando com as letras ele aprenderá usá-las corretamente tanto na escrita quanto na oralidade. Também provar que, através dos livros podemos conhecer novos países, outras culturas, “voltar ao passado”, conhecer grandes heróis como: Ulisses de “Odisséia”, “Dom Quixote” de Miguel de Cervantes, “Pedro Bala” de “Capitães da Areia e muitos outros). Enfim, o leitor poderá viajar, sonhar, conhecer o mundo sem sair de sua casa. Além de tudo isso, a leitura corrobora para a formação de um cidadão mais crítico, menos vulnerável e capaz de formar sua própria opinião.
Consequentemente, quando se fala em leitura não é só livro. É também, ler revistas, jornais, out-doors, folhetos, bulas de remédios, receitas, ou seja, ser capaz de ler tudo aquilo que nos arrodeia. Porém, tudo isso, é o professor que precisa passar para o aluno. Fazê-lo perceber os benefícios que uma boa leitura trará, e, mostrá-lo que ela o ajudará a relacionar-se mais com as pessoas, a lidar com momentos difíceis da vida, vencer obstáculos etc.
É preciso mudar a cultura do brasileiro, que segundo pesquisa divulgada no mês de outubro deste ano, pelo instituto Paulo Montenegro/ IBOPE, apenas 25% dos brasileiros entre 15 a 64 anos têm habilidades plenas de leitura e escrita. O dado faz parte do Indicador nacional de alfabetismo funcional (Inaf). O estudo revelou que 8% dos brasileiros, na mesma faixa etária, estão em condições de alfabetismo absoluto; 30% são capazes apenas de localizar informações simples em frases como anúncios ou chamadas de jornais, nível considerado muito baixo e 37% podem somente localizar uma informação em um texto curto, como uma carta ou notícia.
Em suma, a leitura é de fundamental importância na formação do ser humano. E, é, somente, através dela, que as pessoas poderão opinar perante a sociedade, julgando o certo e o errado, escolhendo melhor seus governantes, lutando mais por seus direitos, e, não aceitando tudo goela abaixo. Pois como no passado, onde o ler, o saber, o dominar, o conhecer, era, principalmente, privilégio da aristocracia, porque ela tinha acesso a tudo e, sendo assim, ludibriar um povo sem conhecimento seria muito fácil. Hoje, porém, há muita informação ao alcance de “todos”, basta que a escola, a família incentive o nosso jovem brasileiro a ler, a viajar nesse mundo maravilhoso que é descobrir outros mundos, mares, vidas, crenças, paixões, amores através de um bom livro. E não ficar deslumbrado com frases bonitas, metafóricas, insensatas de políticos corruptos que querem explorar, e explorar, e explorar; pois para esses, enquanto mais desinformação, alienação, melhor. Não fique ai parado em frente ao televisor aceitando tudo, engolindo sapo, ou o que vier goela abaixo. Leia, e viva a vida com prazer, emoção, paixão e plena sabedoria!
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HINO NACIONAL - Atenção aos erros mais comuns |
Atenção aos erros mais comuns:
1. Brilhou no céu da Pátria NESSE INSTANTE. Cuidado para não cantar estante.
2. SE O penhor ... Cuidado para não cantar Seu penhor.
3. Conseguimos conquistar com BRAÇO FORTE. Atenção! Está no singular e não é braços fortes.
4. BRASIL, UM SONHO... Atenção! Nessa estrofe não tem a palavra DE, sendo assim não cante Brasil de um sonho e sim: BRASIL, UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO.
5. E O teu futuro espelha essa grandeza. Muito cuidado! Não é se o teu e sim uma afirmação – E O TEU FUTURO...
6. ILUMINADO AO SOL do Novo Mundo. Cuidado! Não cante: Iluminado o sol.
7. NOSSA VIDA ... NO TEU SEIO ..... mais amores. Atenção! Não é em teu seio.
8. Brasil, de amor eterno seja símbolo. Aqui usamos o DE.
Não confunda: na primeira estrofe, sem o DE
Na Segunda estrofe com o DE |
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Vocabulário do Hino Nacional |
Seio: Meio, Centro
Idolatrada: Amada, Adorada
Salve: Saudação, Viva – Ó Pátria amada, nós te saudamos.
Raio vívido: luminoso, brilhante
Límpido: Transparente
Resplandece: Brilha
Impávido: Destemido
Espelha: Reflete.
Esplêndido: Admirável
Fulguras: Brilhas
Florão: Ornamento em forma de flor
Lábaro: Estandarte, Bandeira
Flâmula: Bandeira
Verde - louro: Verde – amarelo
Brasil, que a tua bandeira estrelada seja símbolo de amor e o VERDE – AMARELO representem a glória do passado e a paz no futuro.
Clava: Arma
Brasil, se fores convocado para a luta, verás que teus filhos não fugirão porque te amam |
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A intertextualidade compreende as diversas maneiras pelas quais a produção e recepção de um dado texto depende do conhecimento de outros textos por parte dos interlocutores, isto é, diz respeito aos fatores que tornam a utilização de um texto dependente de um ou mais textos previamente existentes. Portanto, quando produzimos ou lemos um texto (nos reportamos a outros textos, mesmo que inconscientemente) remetemos a outras fontes como, por exemplo, a bíblia sagrada, a livros, escritores, artistas, peças teatrais, desenho, charges (caricaturas) a textos de jornais. Se o leitor não tiver conhecimento de mundo à altura, talvez, não fará uma boa interpretação do texto lido. Exemplo: as matérias (reportagens) jornalísticas que cobrem um mesmo fato (assunto), durante vários dias. Pois, a cada artigo, pressupõe que os leitor(es) tenham conhecimentos dos artigos publicados anteriormente sobre o mesmo assunto, estabelecendo assim, a intertextualidade. Outro exemplo, seria os textos que faz intertextualidade com a bíblia sagrada por imitarem sua forma. Naturalmente, quem ler estes textos, sem conhecer a bíblia, pode até atribuir-lhes um sentido, mas certamente deixará de perceber muitas das significações pretendidas pelo produtor do mesmos |
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Dona Metáfora, a mexeriqueira |
Alfredão é um rapaz simpático, sociável e adora viajar. Numa de suas viagens ao interior, um inesperado acidente com o carro, obriga-o a ficar no mato. Por sorte, um fazendeiro socorreu-o, dando-lhe abrigo. Com o auxílio do fazendeiro, Alfredão pôde retornar à sua cidade. Já em casa, o moço felicíssimo pela ajuda que recebera, resolveu agradecer ao fazendeiro, através da seguinte carta:
“Paz e amor, bicho...você me amarrou na sua cara legal, muito barra- limpa. Achei jóia sua, quando sacou que eu estava na pior, com minha máquina transando no meio do mato, dentro daquele breu. O envenenamento do meu carango sempre me deixa baratinado e você ligou bacana, levando-me para o seu habitat. No dia seguinte, com colher de chá que você me deu com o seu trator, consegui emplacar no asfalto e batalhar firme uma carona até conquistar a metrópole. Como não pudemos transar melhor, espero você para vir moitar uns dias comigo em minha lona legal, onde poderemos curtir fino papo com a turma ou transar com as doidonas das motocas, com suas calças apertadas e blusas transparentes. Você poderá ir comigo para uma discoteca ou um inferninho e tenho certeza, adorará a onda do travoltismo.
Curtiremos um som jóia ou sacaremos umas minas no asfalto, para um programa bem legal. Fique na minha, você vai gamar.
Do chapa, Alfredão
Resposta do Bertolino:
Senhor Alfredão
Não entendi bulhufas de sua carta, é muita confusa e estou muito aborrecido por você começar me chamando de bicho, quando fui seu amigo sem o conhecer. Além do mais, devo dizer-lhe que sou macho pra burro. Se quiser experimentar, volte aqui, seu cachorrão. Não amarrei você em coisa alguma, o que fiz foi tratá-lo como gente civilizada. Se você achou alguma jóia aqui, deveria Ter entregue à dona da casa. O que você praticou é caso de roubo. Outra coisa errada a sua, não tirei você de nenhum breu. Isso aqui não existe. Acho que você está meio tantã. Também não lhe dei nenhuma colher de chá. Se por acaso você levou alguma coisa, que e pelo que eu senti, é costume em você, pode ficar com ela de recordação.
Gostaria de saber quem foi o cretino que jogou veneno no seu carro, pois se foi algum empregado meu, vou mandá-lo embora. Aqui tem curtume e não vou sacrificar minhas aves para dar o papo você. Quanto a ir para o inferno com você, pode ir sozinho. Sou muito religioso, inferno é feito para gente igual a você. O tal de negócios de minas e jóias não serve para mim. Nunca tive gosto nem tempo para bancar o garimpeiro. Também não sou marinheiro e não entendo de ondas.
Olha, moço, eu aqui sou muito conhecido e respeitado por todos. Pelo Juiz, pelo Padre, por políticos e pelo povo. Nunca alguém me chamou de bicho ou por outro nome de animais. Vê se me respeita, moço.
Bertulino |
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Avaliação de Língua Portuguesa – Professor – Gerson L. Silva |
Nome;__________________________ Nº____Série ______
1) Assinale a alternativa em que os pronomes “eu e mim” completam corretamente as frases a seguir.
- Os gritos chegaram até ____________.
- Entre você e ___________ há uma grande diferença.
- Entregou as fotografias para ________ selecioná-las.
- Para _______, é difícil estudar à noite.
- Deixaram a roupa para ________ lavar.
a) mim, mim, eu, mim, eu.
b) eu, eu, mim, mim, eu.
c) mim, mim, eu, eu, mim.
d) eu, mim, eu, eu, eu.
e) mim, eu, eu, eu, mim.
2) Selecione a alternativa que contém a forma adequada ao preenchimento das lacunas.
Era para _______ falar _______ ontem, mas não ______ encontrei em parte alguma.
a) eu _ com ele – o
b) mim – consigo – o
c) eu – com ele – lhe
d) mim, consigo - lhe.
3) Assinale a alternativa que preencha corretamente as lacunas abaixo das seguintes frases:
I – Quero saber ________ você vai?
II – ____________ você comprou este livro?
III - _________ você vai eu vou varrendo.
IV – Diga-me _______ você esteve este tempo todo?
a) aonde – onde – aonde – onde.
b) aonde – aonde – onde – aonde.
c) aonde – onde – onde – onde.
d) onde – aonde – aonde – onde.
4) Complete com “onde” ou “aonde” as lacunas das frases, indicando a única que não admite nenhuma dessas duas formas. Justifique sua indicação.
a) Na praça _______ ficava o circo havia um fervilhar de crianças.
b) O lugar _______fomos durante as férias é maravilhoso.
c) Dormíamos em um hotelzinho _______as baratas eram soberanas.
d) Você pode me informar _______leva essa escada?
e) O passageiro do ônibus estava muito irritado com o atraso, __________ começou a xingar o motorista.
f) O motor do helicóptero começou a falhar, por isso o piloto pousou __________ foi possível.
5. Identifique a alternativa que preencha adequadamente as lacunas:
Jorge Ossani explicou para Moarcy Scliar _________ os pivetes roubam: praticaram crimes ____________ gostam dos mesmos alimentos e brinquedos que as outras. Entretanto, nem todos concordam com esse _________ da delinqüência juvenil.
____________ será que muitas crianças se transformam em pivetes?
a) porque – por que – porquê – Porque.
b) por que – porque – porque – Porque.
c) por que – por que – porque – Porque.
d) porque – porque – porquê – Porque.
e) por que – porque – porquê – Por que.
6. Identifique a alternativa que preencha corretamente as frases abaixo:
I – O povo tinha grandes expectativas, _______os dirigentes decepcionaram.
II – Talvez seja engano meu, _______acho-a agora mais serena.
III - __Mais___ de um jogador foi expulso.
IV – Ele reclamava sempre, _______acabava fazendo seus deveres de casa.
V – Converse menos e trabalhe _______.
a) mas – mas – mais – mas - mas.
b) mas – mas – Mais – mas – mais.
c) Mais – mais – mais – mas – mas.
d) mas – mas – mas – Mais – mais.
7. Assinale a alternativa que preencha corretamente as lacunas das frases abaixo:
I – É um funcionário rude e _______-educado.
II – O _______estado do gramado deixou o jogador de ___mau____-humor.
III - _______soou o alarme, todos correram.
IV – Ele é ___mal_____-criado e __________ aluno.
V – O edifício foi _________construído.
8. Indique a pontuação adequada para a seguinte frase:
“Brincalhão ele sempre diz alguma frase engraçada”.
a) “Brincalhão, ele sempre diz alguma frase engraçada”.
b) “Brincalhão, ele, sempre, diz alguma frase engraçada”.
c) “Brincalhão, ele sempre diz: alguma frase engraçada”.
d) “Brincalhão ele, sempre diz: alguma frase engraçada.”
9. Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas (escritas) corretamente. Observe o som S - Z
- Claresa – Quiser – Frisar
- Claresa – Quizer - Frisar
- Clareza – Quiser – Frisar
- Clareza – Quizer - Frizar
10. Complete a frase seguinte com: porquê, por que, por quê, porque.
Diga-me o ___________ de tanto estudo. |
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Monte Castelo (Legião Urbana) |
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria - Intert. c/ bíblia
É só o amor, é só o amor,
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece
O amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor
Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor,
Que conhece o que é verdade
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria...
(Soneto do Amor) – Camões
O amor é fogo que arde sem se ver
O amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Texto bíblico – I AO CORÍNTIOS 13
Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
Ainda que tivesse o Dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria. (Legião faz citação desta passagem, só que em outras palavras)
E ainda distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.
A caridade é sofredora, é benigna: a caridade não é invejosa: a caridade não trata com leviandade, não se irrita, não suspeita mal; (Há outra citação na letras da legião)
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade.
- Qual o tema central dos poemas apresentados?
- Camões termina o poema com uma interrogação, que indica uma série de dúvida. Qual é?
- Há alguma intertextualidade (referencias) nos textos apresentados? Cite-as.
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Por Ivan Angelo
05.03.2008
Quem não amou sem, de repente, já não poder trocar um beijo, um olhar, um sim, ou mesmo um não? Amores distantes são fantasmas, presenças incorpóreas, arrepios de vento ou de lembranças – não de toques.
Quem não amou pelo breve tempo de uma viagem, sabendo que ali na frente estava a volta com suas impossibilidades? O alongado tempo da ausência? Como se interpõe um oceano entre dois desejos, como se plantam montanhas, meridianos, paralelos entre duas ânsias de estar junto? Amantes separados têm necessidades que nenhum e-mail alivia, nenhuma carta com beijo de batom ameniza, nenhum telefonema consola – ao contrário: mais apertam o coração e o resto.
Quem não se apaixonou e teve de se afastar, só, deixando para trás um pedaço de si, transformado em metade, roubado do amor por uma transferência do trabalho, uma oportunidade, uma família que se muda? Ou quem, por outro lado, teve de ficar e se resignar, também metade? Duas metades oxidando suas cicatrizes, como laranja partida.
Quem não se enganou, pensando que era fugaz o amor e o dispensou, sem pena de o ver partir? Amor que mais tarde se revelou brasa dormindo sob as cinzas, mas agora sem remédio, pois o preterido se tornara de outra o preferido.
E quem não amou secretamente, por algum motivo?
Já foram mais duros os impedimentos do amor; as distâncias, mais impossíveis de vencer. Filhas eram postas em conventos pelos pais, que queriam matar sufocado algum amor que repudiavam. Até princesas eram encerradas em torres. Hoje princesas namoram cavalariços.
O inconfidente preso Tomás Antônio Gonzaga, o Dirceu de Marília, consolava-se com os poemas que escrevia para a amada no presídio de Vila Rica, impossibilitado de vê-la: "Nesta cruel masmorra tenebrosa / ainda vendo estou teus olhos belos, / a testa formosa, / os dentes nevados, / os negros cabelos". Ou este outro, escrito na prisão da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, sempre figurando a noiva: "Nesta triste masmorra, / de um semi-vivo corpo sepultura, / inda, Marília, adoro / a tua formosura. / Amor na minha idéia te retrata; / busca, extremoso, que eu assim resista / à dor imensa que me cerca e mata". Foi de lá exilado para a África e nunca mais a viu.
De tais tormentos não se podem queixar os presos de hoje, nestes tempos liberais que facultam a visita íntima – amor é abraço.
Até impedimentos banais foram cantados, como nesta canção dos anos de 1940: "Oi, eu de cá, você de lá / do outro lado da lagoa / de dia não tenho tempo / de noite não tem canoa". Boleros, sambas, valsas, modas sertanejas, tangos, blues, baladas, axés, reggaes, rocks – em todos os ritmos as canções falaram de amores a distância, porque a verdade é que amores venturosos não costumam dar ibope. "Quem parte leva saudade de alguém / que fica chorando de dor."
Há abismos que nós mes-mos abrimos, por nos faltar ousadia para dar o passo; há Julietas frustradas em balcões que não galgamos, Romeus vacilantes; há barreiras como a guerra, a doença, o fanatismo, o racismo, o autoritarismo, o casamento, que os apaixonados, mesmo próximos, por fraqueza ou juí-zo não conseguem transpor – tudo é distância, pois amor é abraço.
– E você, poeta? – pergunto.
– Em outro hemisfério já deixei suspirosas Cristinas, Bárbaras e Ellens, suspiroso fiquei por ausentes Guidas e Vidinhas. Mas houve amores que venceram distâncias e não conseguiram vencer o tempo. E você, cronista?
– Cultivo o amor de convivência. Porque amor é abraço. |
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